De virada, Galo perde para o Colón na Argentina

Jéssica Silva
Do Fala Galo, em Montes Claros
20/09/2019 – 1h10
O Galo iniciou sua busca por uma vaga na final da Copa Sul-Americana jogando em Santa Fé, na Argentina. O adversário era o Colón e buscar no mínimo um empate fora de casa era o objetivo da equipe atleticana. O time de Rodrigo Santana saiu na frente, controlou as ações do jogo no primeiro tempo, mas se perdeu na etapa complementar e proporcionou ao adversário a vitória de virada, acumulando mais um revés na temporada.
No primeiro tempo o Atlético foi seguro. Era de se esperar que o time da casa fosse ousado nos primeiros momentos da partida, já que jogava em seus domínios. No entanto, o fato de o Galo ter o controle da situação e jogar com cautela fez com que o ímpeto do Colón fosse quase nulo e qualquer tentativa do time da casa era facilmente impedida pelos comandados de Rodrigo Santana.
Ver o Colón com suas ações anuladas pela frieza atleticana e impossibilitado de jogar a todo vapor fez com que imaginar o Atlético vencendo a partida não fosse algo difícil para o atleticano. O Galo vinha controlando bem o jogo e parecia saber exatamente o que fazer para trazer um bom resultado para casa, chegando até a sair na frente no placar.

Aos 36 minutos, Chará acreditou no que parecia ser um lance perdido e foi premiado com o gol. Elias errou o passe na entrada da área, a bola pareceu voltar ao domínio dos argentinos, mas o camisa 08 do Galo apareceu para mandar a redonda para o fundo das redes do goleiro Burián.
O Atlético era quem controlava o jogo, foi quem saiu na frente e tinha tudo para manter o bom resultado fora de casa. Porém, o time alvinegro se esqueceu de voltar do intervalo e viu o Colón mudar a cara da disputa no segundo tempo.
Na etapa complementar o time argentino era todo pressão. O Colón voltou mais aceso para o restante da partida e chegava com perigo pelo seu lado direito. A melhora dos donos da casa coincidiu com uma caída considerável no desempenho do Galo e daí para frente foi só prejuízo.
Logo aos seis minutos do segundo tempo o Colón igualou o marcador, se aproveitando da bola parada. Quando não se trata de um lance com a bola rolando, prever o que pode acontecer é quase impossível, mas vale ressaltar a falta de atenção do time atleticano no momento do gol de empate e durante todo a etapa complementar, o que com certeza premiou os argentinos com a facilidade em sair para o jogo. Se o Atlético tivesse sido maduro o suficiente para se aproveitar do “susto” de sofrer o empate tão cedo para acordar e voltar a controlar as ações do jogo a história poderia ter sido diferente, mas não foi o caso.
Ver o desempenho de Zé Welison no meio de campo só serviu para fazer a saudade de Jair aumentar. Erros bobos do volante, por limitação técnica ou falta de atenção, proporcionaram ao adversário boas chegadas à área do Galo e a chance de gostar do jogo. Cazares, que deveria ser o diferencial no meio de campo atleticano, fez mais uma partida apagada e também colaborou para o baixo rendimento da equipe.
O Atlético foi recuado ao seu campo de defesa quando o dono da casa decidiu jogar. Relaxar na etapa complementar mesmo após ver sua vantagem ser igualada fez com que o Galo se perdesse na partida enquanto o Colón se encontrava e buscava o resultado positivo, o que não demorou a chegar para os argentinos.
Considerando as circunstâncias da partida até então, o gol marcado fora de casa e a queda de rendimento da equipe no segundo tempo, trazer um empate para Minas Gerais não seria um resultado ruim. Precisávamos da vitória, mas ela foi desconstruída com a melhora do Colón no segundo tempo. Passamos a valorizar o empate, mas ele também não foi o resultado final da partida. Quando parecia não haver tempo para mais nada, Otero, que havia substituído Cazares, foi facilmente superado pelos argentinos e Luis Rodríguez deu a vitória aos donos da casa, marcando aos 40 minutos do 2° tempo. O Galo ainda encontrou tempo para ser sufocado, mas a vantagem de vencer por 2 a 1 era só o que cabia ao Colón na noite de ontem.
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Jogar somente durante os primeiros 45 minutos não é o bastante, obviamente. Talvez por ter marcado o gol na primeira etapa e conseguir uma vantagem importante o Galo tenha relaxado no 2° tempo e isso foi o suficiente para que o Colón melhorasse na partida e mudasse a cara do jogo, deixando claro que não existe adversário fácil quando o assunto é futebol. Olhar para o banco e não ver tantas alternativas que possam mudar o rumo da história já é comum por aqui, mas ver que Geuvânio, um jogador que poderia dar mais velocidade a uma partida apagada, não vem sendo utilizado, nem mesmo cogitado, faz com que seja difícil imaginar quais são os objetivos do técnico Rodrigo Santana com suas alterações.
Não é de hoje que a equipe atleticana deixa seu rendimento cair durante as partidas, e essa oscilação não poderia ter chegado em um momento pior, já que estamos cara a cara com a nossa única chance de salvar a temporada e ela parece cada vez mais distante, escapando aos poucos graças a uma série de erros que são cometidos e inacreditavelmente repetidos.
Valorizando o gol marcado fora de casa e o fato de a vaga na final da Sul-Americana ser decidida em BH, o resultado de ontem é ruim, mas não impossível de ser revertido. É claro que acreditar em viradas emocionantes já foi mais fácil para quem veste preto e branco, mas apesar de o desempenho do time merecer o contrário, apoio para que o Galo faça uma partida melhor e alcance a classificação não vai faltar.
Na próxima quinta-feira, também às 21:30, o Galo terá a chance de mostrar um melhor desempenho. Olhando o adversário de igual para igual e enxergando de uma vez por todas que ter um coletivo bem treinado e preparado para compensar as limitações técnicas individuais que ainda temos é o caminho para alcançar bons resultados, o Atlético pode perfeitamente superar o Colón, desfazer a vantagem dos argentinos e chegar à final da competição continental.
Desafogo financeiro, prestígio, vaga na próxima Copa Libertadores e salvação da temporada: o título da Copa Sul-Americana vale muito para o Atlético e para toda a sua torcida, falta apenas que jogadores e comissão técnica demonstrem saber disso através de bons resultados conquistados dentro das quatro linhas. Considerando tudo isso, jogar a toalha nunca foi e jamais será uma opção.
COLÓN 2 X 1 ATLÉTICO
Colón-ARG: Leonardo Burián; Alex Vigo, Guillermo Ortiz, Emanuel Olivera e Gonzalo Escobar; Rodrigo Aliendro, Federico Lértora, Fernando Zuqui e Marcelo Estigarribia; Luis Rodríguez e Wilson Morelo
Técnico: Pablo Lavallén
Atlético: Cleiton; Patric, Réver, Igor Rabello e Fábio Santos; Zé Welison; Chará, Elias, Vinicius e Cazares (Otero, aos 21/2°T); Di Santo (Alerrandro, aos 27/2°)
Técnico: Rodrigo Santana
Gols: Chará, aos 35/1°T (Atlético); Morelo, aos 6/2°T, Luis Rodríguez, aos 40/2ºT (Colón)
Cartões amarelos: Franco Di Santo, aos 15/1°T
Motivo: jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana
Data/ Hora: quinta-feira, 19 de setembro de 2019, às 21:30
Local: Estádio Brigadier General Estanislao López, ou ‘Cemitério dos Elefantes’, em Santa Fé, na Argentina
Árbitro: Alexis Herrera (VEN)
Assistentes: Carlos López (VEN) e Luis Murillo (VEN)
VAR: Nicolas Gallo (COL)
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Edição de imagem: André Cantini
