Foto: Flickr oficial do Atlético
Max Pereira
05/11/2020 – 08h57
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Fala Galo.
“Será que vocês não conseguem ver que o time tá ANDANDO EM CAMPO????? Nos últimos 4 jogos o time ficou assistindo o adversário jogar, não faziam questão de nada, se perdessem ou não, pra eles dava no mesmo… Não é possível que está tão difícil de ver a preguiça do time”.
Esse clamor de uma atleticana nas redes sociais não só exprime o sentimento de grande parte da torcida como toca, a meu ver, no ponto nevrálgico dos problemas que o atual time alvinegro vem enfrentando e expondo em seus jogos.
Tudo o que acontece dentro de campo é consequência do que acontece fora das quatro linhas. As atuações pífias e passivas do Atlético mostram que as muitas escolhas erradas não se restringem aos erros e falhas dos jogadores em campo, mas também ao que tem acontecido fora dos gramados. Passou da hora de repensar, agir e reagir.
É visível que o time do Atlético está passivo, sem inspiração, sem energia, letárgico, não reativo. Perder todas as disputas físicas, não ter velocidade e explosão quando necessário, errar passes em demasia e fazer tantas escolhas erradas. E a causa disso tudo têm que ser detectada e eliminada.
Urge diagnosticar a raiz de tanta passividade e de tanta instabilidade emocional, moral e mental do time. Urge questionar porque o esquema de jogo de Sampaoli parece estar se tornando uma camisa de força para o time. Urge sacudir o time antes que seja tarde demais.
Ainda há tempo de se evitar um desastre. Uma derrocada do time no Brasileirão pode ferir de morte todo o trabalho que está sendo feito e jogar o clube no buraco. Os riscos de que o Atlético despenque na tabela e submerja em uma crise devastadora são reis, dada às características histriônicas da história do clube. Já não basta o que os inimigos externos já fazem com extrema competência e maldade?
No artigo “TUDO O QUE ACONTECE DENTRO DE CAMPO É CONSEQUÊNCIA DO QUE OCORRE FORA DAS QUATRO LINHAS?” escrevi que em qualquer atividade da vida estar preparado para ela é condição fundamental para se obter um bom resultado. E, no futebol, claro, para se colher os frutos projetados é fundamental cuidar além dos aspectos intrínsecos do jogo em si.
Nesse espaço já chamei a atenção também para o fato de que “o futebol não é ciência exata e que, nesse esporte, expectativa e realidade podem andar distantes, vez que as oscilações são naturais” e de que “é obrigação do Atlético cultivar o espirito de campeão. Brigar pelo titulo deve ser práxis natural. E ganhar, apenas uma consequência!”.
Por ser um time jovem na idade e na formação é preciso que as cabeças dos jogadores sejam trabalhadas e que o grupo seja blindado, acompanhado, full time se necessário, e bem assessorado. A cabeça de vários atletas está claramente dançada e a autoestima zerada. É preciso resgatar isso. Reduzir ao máximo as coletivas é recomendado. Conversa só interna.
O que estou sugerindo não é nenhuma caça as bruxas, não é a eleição de novos Cazares, i.e., não é escolher a quem imputar que só joga quando quer. O elenco precisa de muita conversa. Precisa de trabalho, precisa de acompanhamento, não custa repetir.
Também não é hora para alarmismos que nada constroem. E, antes de cobrar qualquer resposta do elenco é preciso entender qual é a resposta que eles são capazes de dar. E essa resposta pode não ser exatamente a que o treinador esteja exigindo.
Assim como para a diretoria urge avaliar as escolhas e o planejamento do futebol, para Sampaoli urge, além de reavaliar as suas concepções táticas, a ideia de jogo e a necessidade de um gênio criativo, um Cazares, à luz das características do elenco disponível, entender o porquê seus jogadores não mais estão conseguindo impor o seu sistema diante dos adversários, sejam eles quem forem. E por que o time não alterna entre o jogo propositivo e o reativo, conforme o adversário e a partida exigem?
O time do Atlético de hoje é constituído de operários táticos e mesmo Nathan que vinha se sobressaindo nesse quesito graças ao seu aguçado senso estratégico, hoje vem se mostrando um jogador comum. Falta ao time, além de um ou mais jogadores experientes, um gênio criativo, alguém com capacidade de fazer diferente. Quem tinha essa qualidade saiu escorraçado.
Cazares errou e muito. É fato. Mas o Atlético e a torcida também erraram bastante com ele. O clube pecou como sempre pecou na gestão de seus ativos. E a massa, com uma intolerância e um ódio desmedidos. Gostem dele ou não, há que se reconhecer que Cazares é diferenciado e que um jogador desse nível e qualidade faz falta. E é isso que vejo e defendo.
Ah! Deixa de ser viúva do Cazares! Ele teve todo o apoio da massa e não jogou porque não quis. Quando foi mesmo que o equatoriano teve todo o apoio da torcida? Ah! Quando quis jogar. Mas, quem joga ou conseguiu jogar em nível máximo de excelência técnica, física e mental sempre, em todos os jogos e durante os 90 minutos de cada partida? Ninguém. Nem Pelé, o maior de todos.
Urge agir antes que as tradicionais caças às bruxas aconteçam e novos Cazares, Elias e Patrics sejam eleitos, odiados e escorraçados. Urge repensar o aproveitamento dos garotos da base antes que, ou sejam queimados, ou sejam mal vendidos ou dispensados precipitada ou erroneamente, como nos mostra a historia do clube.
Não há como dissociar a derrota melancólica sofrida para o Palmeiras dos últimos resultados ruins. Se nesse ultimo jogo o time não atuou bem mesmo, coletiva e individualmente, e, nem sequer finalizou como vinha fazendo antes, ao mesmo tempo em que mostrou um bom volume de posse de bola e de jogo propositivo, absolutamente estéreis, nos jogos anteriores, o a má qualidade nas finalizações mascarou os reais problemas do time que, se não forem bem trabalhados, irão se agravando e novas atuações patéticas se repetirão.
E qual é o papel da torcida nesse momento? A resposta é uma só: cobrar com parcimônia, equilíbrio e sem fazer as tradicionais e covardes caças às bruxas. No Atlético várias vezes muitos garotos promissores tiveram um corte decisivo em suas carreiras e jogadores experientes e de grande potencial não puderam entregar o que deles se esperava graças á intolerância e o ódio incontidos da massa. E nada de “Fora Sampaoli”. Não é a solução.
Cobrem, protestem, critiquem, mas, nunca se esqueçam de que tudo o que acontece fora dos gramados se reflete dentro do campo. A todo efeito precede uma causa. E a bola pune.
