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Ressuscitando o Grêmio: Galo perde em Porto Alegre

Por: Jéssica Silva (@jeatleticana)

 

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PÓS-JOGO FALA GALO: www.youtube.com/watch?v=9897_HBWCV0

 

Sob o comando de Rodrigo Santana a principal arma do Atlético é se defender e apostar em contra-ataques. Na maioria das partidas do Campeonato Brasileiro essa estratégia vem dando certo, mas ontem, contra o Grêmio, não surtiu muito efeito.

A partir do momento em que se escolhe esperar o adversário, a defesa do time deve ser impecável para garantir que a equipe não sofra gols, mesmo sendo sufocada. No entanto, além do poder defensivo, é necessário ter agilidade para sair em contra-ataque e isso passa por um bom domínio de bola. Diante do tricolor gaúcho vimos o Galo fazer um verdadeiro jogo de ataque contra defesa, sendo aquele que apenas se defendia, sem dar trabalho ao adversário e o possibilitando gostar da partida.

A falta de inciativa do time atleticano para propôr o jogo foi o que favoreceu o Grêmio. Em determinados momentos o Galo até conseguia recuperar a bola, porém, se desfazia dela rapidamente em erros de passes e voltava a ser dominado.
Impedindo gols do dono da casa, que chegava facilmente, Victor foi destaque positivo fazendo grandes defesas e garantindo que nossas preocupações não fossem maiores.

O Galo perdeu seus primeiros quarenta e cinco minutos de partida apenas se defendendo, sem chutar a gol, parecendo não ter a intenção de abrir o marcador. Faltou ao Atlético postura, vontade e, acima de tudo, pensar como a grande equipe que é.

Apesar de ter boas peças, o Grêmio não vive uma boa fase no Campeonato Brasileiro, sendo assim, o Atlético poderia ter se lançado ao ataque mais vezes demonstrando confiança, sem se intimidar por jogar fora de casa. Logicamente, defender-se é muito importante, principalmente se tratando do limitado time atleticano, mas não deve ser a única coisa a se fazer. O que vence uma partida são gols e isso, infelizmente, o Galo não buscou por muito tempo.

Vale ressaltar que o Grêmio teve boa chance de abrir o marcador ainda no primeiro tempo, após o juíz assinalar pênalti para o tricolor, com o auxílio do VAR. No entanto, a chance de gol do dono da casa esbarrou na conhecida falta de talento de André, que chutou a bola para fora. Esse lance de sorte poderia ser a oportunidade para o Galo se acertar e voltar melhor para a etapa complementar, mas a alegria durou pouco.

Logo na volta do intervalo o Atlético sofreu com uma nova falha em bola parada e ficou para trás no placar. A defesa atleticana deixou Felipe Vizeu livre para fazer o que quisesse, inclusive o gol, nos colocando em prejuízo.

Se levar o gol no início do segundo tempo teve um lado bom, é que o Galo se viu obrigado a sair para o jogo fazendo com que a partida ficasse um pouco mais equilibrada. Porém, apesar de todo o esforço, ficaria claro que já era tarde demais.

O domínio do Grêmio no primeiro tempo e o fato de ter saído na frente no placar fez com que o Galo mudasse um pouco sua postura na etapa complementar. Nos quarenta e cinco minutos restantes não víamos somente as ações do time gaúcho, mas também a tentativa de recuperação atleticana.
Bruninho e Geuvânio, ambos acionados no segundo tempo, fizeram boas tentativas de chutar a gol, mas não chegaram a balançar as redes.

Como saldo da falta de domínio no meio de campo e de organização para atacar, alcançar até mesmo o empate ficou difícil demais e o Galo colheu o que plantou no primeiro tempo ao se deixar ser dominado pelo Grêmio.

Muito se fala no “desaparecimento” de Ricardo Oliveira em campo a cada partida, e é verdade que o atacante vem deixando a desejar. Mesmo assim, não se pode ignorar o fato de que a bola pouco chega lá na frente. Brigar pela redonda, demonstrar vontade em ir para cima da defesa adversária é o papel do centroavante, porém, é impossível trabalhar sozinho, o que deixa claro que os nossos problemas vão muito além do camisa 9.

O Galo já tem a dificuldade de possuir um plantel muito menos qualificado que a maioria dos seus concorrentes, sendo assim, a falta de qualidade deveria sempre ser compensada com aquilo que vimos no último sábado: raça.

Se acovardar totalmente diante de um adversário sem ao menos tentar demonstrar algum objetivo ofensivo, visando apenas se defender, evidencia as limitações do time de Rodrigo Santana, cujo plano tático nem sempre funciona.

As peças são limitadas, não em questão numérica, mas em termos de qualidade. Reforçando pontualmente o plantel, há inclusive a parada para a Copa América quando se pode fazer isso, poderemos ser uma equipe que dá trabalho aos seus adversários. Se com tão pouco Rodrigo Santana já conseguiu uma evolução, recebendo os devidos reforços, o jovem treinador pode seguir um bom caminho no comando do Galo.

A incômoda “freguesia” recente para o Grêmio continua, hoje com um gosto ainda mais amargo. O time de Renato Gaúcho ainda não havia vencido no Brasileirão e ver a equipe tricolor desencantando frente ao Galo, que faz surpreendentemente uma boa campanha, é para lá de frustante.

Apesar de tudo, jogos como esse servem também para não nos deixar esquecer que os erros frequentes no Atlético não desaparecerão de repente.
Dessa forma, a cobrança para que as pessoas que hoje representam o Galo façam por merecer os cargos que possuem dentro e fora de campo não vai e nem deve cessar.

FICHA TÉCNICA: GRÊMIO 1 X 0 ATLÉTICO 

Grêmio
Paulo Victor, Léo Gomes, Geromel, Rodriguez e Capixaba, Maicon, Michel, Jean Pyerre (Thaciano) e Alisson (Diego Tardelli), Everton e André (Felipe Vizeu)
Técnico: Renato Gaúcho

Atlético
Victor; Patric, Leonardo Silva, Igor Rabello e Fábio Santos; Zé Welison (Nathan) e Jair; Luan (Bruno), Cazares (Geuvânio) e Chará; Ricardo Oliveira
Técnico: Rodrigo Santana

Cartões amarelos: Maicon (Grêmio) e Zé Welison, Geuvânio, Patric e Luan (Atlético)

Gol: Felipe Vizeu (Grêmio)

Motivo: 6ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre
Data e horário: sábado, 25 de maio, às 19h (Brasília)

Árbitro: Rafael Traci (SC)
Assistentes: Kleber Lucio Gil (Fifa/SC) e Carlos Berkenbrock (SC)
Árbitro de vídeo: Heber Roberto Lopes (SC)

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