Por Jéssica Silva
O Galo finalmente conseguiu desbancar o Botafogo em uma disputa de mata-mata e segue firme na Copa Sul-Americana, competição cujo caminho para um título na temporada é o mais curto.
Analisando todo o confronto, a classificação atleticana foi o resultado mais justo, não só pelos três gols marcados contra nenhum do Botafogo, mas por uma questão de desempenho. No entanto, o comportamento do Galo ontem, durante o primeiro tempo, fez qualquer atleticano mais exigente temer uma chegada mais perigosa do time carioca e até mesmo uma desclassificação.
O Botafogo era quem precisava do resultado e seu jogo foi correspondente a isso na etapa inicial. Ao passo em que o time de Barroca sufocou o Atlético e comandou as ações no primeiro tempo, o Galo afrouxou a marcação e deu espaços ao adversário, proporcionado sustos aos atleticanos que encheram o Independência.
Mais ligado que na semana passada e até mais bem treinado, o time botafoguense jogava em conjunto, trocava passes com facilidade e fazia o possível para se manter com a posse de bola, chegando à área atleticana em busca do gol da igualdade. Pelo lado do Galo, Otero era quem ameaçava com chutes precisos a cada vez que ficava com a bola e tinha algum espaço, mas é aquela velha história: futebol é coletivo e o conjunto atleticano não funcionou muito bem no primeiro tempo, contando até mesmo com sorte em cobrança de falta do Botafogo no finalzinho da primeira etapa, que só não balançou as redes de Cleiton por puro capricho do destino.
Ricardo Oliveira teve nova chance no ataque atleticano e a desperdiçou, mas o desempenho dos comandados de Rodrigo Santana no primeiro tempo foi tão aquém do esperado que a má fase do camisa 9 acabou não o fazendo destoar do restante da equipe. Chará em nada acrescentou ao Galo, já que foi desarmado com facilidade, não conseguiu ser efetivo em jogada alguma e até desperdiçou uma boa chance de gol, ainda nos primeiros 45 minutos.
Ver o Galo com o comportamento de quem jogava pelo regulamento e pelo resultado construído no Rio assustou. Você já deve ter ouvido alguém dizer que o Atlético não sabe jogar com vantagem, o que é a mais pura verdade. Esperar o adversário, depender de contra-ataques para tentar ameaçar e não comandar um jogo decisivo não agrada a nenhum atleticano. Um time como o Galo não pode se dar por satisfeito enquanto o juíz não apitar pela última vez, principalmente contra uma equipe limitada como a do Botafogo. Para o nosso alívio, a postura atleticana mudou totalmente no segundo tempo e o Atlético passou a jogar como o dono da situação.
Apostando em linhas mais altas na volta do intervalo, o Galo criou mais chances de perigo e não permitiu ao Botafogo ser tão intenso quanto no primeiro tempo. Jair, não surpreendentemente, fez mais uma grande partida e foi quem comandou o meio de campo atleticano. Roubadas de bola, boa distribuição de jogo e até chegadas à área adversária com perigo: definitivamente, é quase inacreditável que o volante vindo do Sport já tenha disputado vaga no time titular com Zé Welison. Hoje em dia, usar as palavras Jair e titularidade na mesma frase já pode ser considerado redundância.
No lance do primeiro gol do Galo na partida, Jair participou diretamente, já que foi quem sofreu pênalti durante boa chegada à área botafoguense. Na cobrança, Fábio Santos bateu bem como sempre, mandou a bola no ângulo e deu alívio imediato ao coração atleticano. As atuações do lateral esquerdo deixam a desejar com a bola rolando, mas seu desempenho na marca da cal segue sendo impecável e de extrema importância quando surge uma penalidade máxima.
O substituto de Cazares foi o nome do confronto contra o time carioca. Vinícius liquidou a fatura no Independência, marcando o segundo gol atleticano da noite. O meia tentou servir Ricardo Oliveira, que falhou ao finalizar, o que não é novidade. No rebote, foi dos pés do próprio Vina que a bomba saiu, colocando fim à “zika” que nos acompanhou por tanto tempo quando o assunto é o Botafogo.
É sempre bom ressaltar que Vina não é o meia diferenciado que faz o time ter algo a mais, mas seu bom desempenho sempre que tem chances como titular deve ser enaltecido. Boa parte da classificação para as quartas de finais da Copa Sul-Americana veio dos pés do camisa 18, que não é um Cazares, mas já mostrou mais comprometimento que o equatoriano em muitas ocasiões.
No geral, o Galo foi superior no Rio, aqui em Minas e tirou do sapato essa pedra chamada Botafogo. A classificação foi merecida e fica cada vez mais claro que a Copa Sul-Americana segue sendo uma chance real de conquista, de desafogo financeiro, de caminho para a Libertadores 2020.
Houve um certo sufoco ontem, na Arena Independência, mas houve também a volta por cima, o reconhecimento dos erros e os acertos. Se a pegada do segundo tempo for encarada como o maior objetivo do Atlético quando entra em campo, o fim de 2019 pode ser mais tranquilo que o início. Rodrigo Santana ganhou pontos ao admitir que a postura atleticana na etapa inicial não foi digna de elogios, e também por colocar o time para jogar bola no segundo tempo, desempenhando bem a função de um treinador capaz de mudar o rumo de uma partida.
Na próxima fase, o Galo encara o Deportivo La Equidad, da Colômbia. Considerando o peso da camisa, as peças do elenco e o desempenho na temporada, o Galo é franco favorito e deve se comportar como tal, a fim de ir mais longe na competição. Na Copa Sul-Americana, só o título interessa e o time atleticano tem totais condições de chegar até ele, basta jogar com comprometimento, respeito ao manto sagrado e vontade de se sagrar campeão. Jogo a jogo, vamos nos aproximando do objetivo final.
Valeu a pena, Galo!
Ficha técnica: Botafogo x Atlético-MG
Motivo: volta das oitavas de final da Copa Sul-Americana
Local: Independência, em Belo Horizonte (MG)
Data: 31 de julho de 2019 (quarta-feira)
Horário: às 21h30 (horário de Brasília)
Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (BRA)
VAR: Leodan González (URU)
Cartão amarelo: Vinícius, Jair (Atlético-MG); Luiz Fernando (Botafogo)
Gols: Fábio Santos – 31’/2ºT (1-0); Vinícius – 40’/2ºT (2-0)
Atlético-MG
Cleiton; Patric, Réver, Igor Rabello e Fábio Santos; Jair (Zé Welison), Elias, Yimmi Chará (Luan), Vinícius e Rómulo Otero (Geuvânio); Ricardo Oliveira.
Técnico: Rodrigo Santana.
Botafogo
Gatito Fernández; Marcinho, Marcelo Benevenuto, Cícero e Gilson; João Paulo (Alan Santos), Luiz Fernando, Gustavo Bochecha (Igor Cássio), Alex Santana e Rodrigo Pimpão (Léo Valencia); Diego Souza.
Técnico: Eduardo Barroca
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