Qual o modelo de jogo do Galo?

Por: Antônio Carlos (Galo Análises)

Antônio “El Turco” Mohamed fez sua estreia no comando do Galo no dia 26 de Janeiro, contra a equipe do Villa Nova; de lá até aqui foram 28 jogos, com 19 vitórias, 7 empates e apenas 2 derrotas. Depois de afirmar várias vezes no início de trabalho que iria manter as bases deixadas pelo treinador anterior, sabemos que muitos dos mecanismos e dinâmicas que já existiam permanecem. Após praticamente 4 meses temos uma questão a ser respondida: qual o modelo de jogo do Galo?

A grosso modo, podemos dizer que o “modelo de jogo” de uma equipe é basicamente o retrato de como ela joga e de como se comporta nas diferentes fases do jogo. É o que pretendemos abordar aqui.

Podemos dividir o jogo em quatro momentos, quatro fases distintas (ou cinco, incluindo a bola parada), a saber: organização ofensiva (equipe com a posse da bola), organização defensiva (equipe se defende), transição defensiva (equipe perde a posse da bola) e transição ofensiva (equipe recupera a bola do adversário).

Uma das características do modelo de jogo do atual treinador diz respeito às variações no desenho inicial, tendo o Galo jogado com mais frequência em 4-4-2, 4-3-3, 4-2-3-1 e além destes, já jogou também com linha de 3 zagueiros; a ideia é se adaptar ao adversário que vai enfrentar. A equipe privilegia a posse, mas tenta controlar o jogo com e sem a bola, quase sempre construindo curto, com muita aproximação, apoios e ultrapassagens.

Em organização defensiva (sem a posse da bola) a equipe se defende quase sempre em um 4-4-2. A altura do bloco varia, mas em bloco alto a ideia é marcar por encaixes individuais, exercendo um “pressing” (ação coletiva que visa o portador da bola, bola e espaço, fechando linhas de passe), diminuindo o tempo e o espaço do adversário. O Galo alterna estes momentos se posicionando também em bloco médio ou baixo, adotando uma marcação mais mista, com encaixes no corredor lateral, saltos de pressão no setor da bola e uma postura mais zonal no lado oposto. Esse sistema tem sido efetivo, principalmente quando sobre pressão, pois o Galo é, no campeonato brasileiro, a equipe que mais recupera bolas no campo adversário.

Quando o Galo recupera a posse da bola, entra em transição ofensiva, onde a ideia é aproveitar a desorganização do adversário para chegar o mais rápido possível no gol. Quando não consegue executar o contra-ataque, a equipe entra em organização ofensiva.

Em organização ofensiva (com a posse da bola) a construção da equipe é quase sempre curta, com saída em 3 mais 1 ou 2 volantes. Quando a marcação adversária é mais alta e a pressão é mais intensa na saída de bola, os dois volantes se posicionam estrategicamente, com um mais próximo do centro de jogo como opção de passe ou para atrair a marcação, e o outro nas costas dessa primeira linha. Allan, seja afundando entre os zagueiros ou mais adiantado no campo, é jogador determinante nessa primeira fase de construção, tanto pela qualidade no passe curto e longo, quanto pela visão de jogo; geralmente é ele quem define por qual corredor a equipe vai sair jogando. Em muitas oportunidades, o ataque do Galo se transforma em um ataque rápido, onde se busca romper a marcação adversária e alcançar a profundidade o mais rápido possível, graças aos lançamentos e passes verticais de Allan ou Éverson. Em outros momentos, o Galo privilegia a circulação de bola e a troca de passes; a ideia é usar a posse para criar espaços na defesa adversária e atacar a profundidade, com triangulações, apoios e ultrapassagens. Os padrões e intenções são bem claros, seja com os laterais em amplitude e os pontas/meias por dentro, atacando o meio espaço ou o contrário, com pontas/meias mais abertos e laterais fazendo a diagonal por dentro. Nacho geralmente com mais liberdade para flutuar e mais próximo dos atacantes, como quer o treinador, ou eventualmente baixar no campo para fugir da marcação e ver o jogo de frente. No último terço do campo, o Galo sempre chega com muita gente na área adversária, com o destaque óbvio para Hulk: movimentação, infiltrações, gols e assistências.

Quando perde a bola e entra em transição defensiva a ideia é tentar recuperar a posse imediatamente através do perde-pressiona e, caso não consiga, a equipe busca a recomposição e entra em organização defensiva. Normalmente o balanço defensivo é feito pelos zagueiros, volante (geralmente o Allan) e um dos laterais; a ideia é temporizar, proteger o funil e fechar as linhas de passe, permitindo a recomposição do resto da equipe.

Alguns ajustes ainda estão sendo feitos pelo treinador, principalmente no sistema de marcação, coberturas, posicionamento das bolas paradas e no balanço defensivo. São ajustes necessários e naturais, visto que qualquer modelo de jogo leva tempo para ser implementado e assimilado pelos jogadores; o importante é que aos poucos esse modelo vai se constituindo.